Desafio 4, diário de leitura ( semana 4 )
Na página 129, dia 1 de novembro no livro, há um pequenino paragrafo em que Carolina Maria de Jesus diz ter achado no lixo um fubá, e infelizmente, não tendo outra opção, ela pega-o para da-lo ao porco, pois em sua própria percepção, ela já está habituada em ver o que há dentro de todas latas de lixo que encontra...
Decidi escolher o tal paragrafo não por gostar do que acontece nele de fato, mas sim do que podemos refletir sobre este. É de extrema tristeza na realidade, sabermos que há pessoas no qual tem o habito de olhar o lixo, e mais ainda quando descobrimos que essas não podem fazer e mudar nada...pois na maioria das vezes se não possuírem essa tal pensamento, de recorrer ao lixo sempre que puderem, terão uma outra pior e rigorosa possibilidade, que seria a fome. Creio que a vida da autora perante ao livro, resume-se em procurar meios para conseguir ter o que comer no dia; ainda mais que ela reconhece fazer dois papeis para os filhos, o de ser mãe e o de ser pai, e por isso nunca deve desistir, mesmo que essa possibilidade seja atentadora, já que sua vida é importante para a vivencia de seus filhos e para a escrita de como é a visão da vida de uma favelada.
Na página 122, dia 20 de setembro no livro, tem um paragrafo bem interessante da Carolina Maria de Jesus, onde ela fala um pouco sobre os nortes-americanos, cidadãos dos Estados Unidos, que na percepção da maioria, são considerados os mais "civilizados" do mundo. No entanto, o que chama bastante a atenção para ela é, mesmo o Estados Unidos sendo considerado o tal país mais civilizado, o ainda existente desprezo e preconceito pelos negros, e até faz uma comparação, dizendo que "preterir o preto é o mesmo que preterir o sol", já que "Deus criou todas as raças na mesma época", e "se criassem então, os pretos depois dos brancos, aí os brancos poderiam revoltar-se" (como fazem hoje em dia).
O tal paragrafo possui assuntos bem polêmicos numa sociedade, pois fala de uma país "civilizado", o preconceito pelos negros e o motivo pela revolta dos brancos, seguindo uma religião. Vale ressaltar que dentre as opiniões da Carolina, há coisas muito "ricas" de pensar-se, e essa ideia de lembrar que o branco e negro vieram juntos ao mundo, é uma delas. Por que visamos reprimir e pré conceituar alguém, apenas por sua cor de pele? Sendo que essa pessoa também é um ser humano, por tanto ele sente fome, sede, possui pensamentos bons ou ruins, tem uma família e necessita trabalhar para alimenta-los...Então esse pensamento de reprimir o negro, não pode ser mais válido, pelo simples fato de não fazer o menor sentido no cenário atual.
Na página 55, dia 8 de junho no livro, Carolina ressalta num pequeno paragrafo o motivo por ela não falar "casa" quando volta ao lugar/leito/barracão, pois em seu pensamento, se ela referir-se o leito como uma casa, estaria "ofendendo as casas de tijolos". Após isso, como está na favela, muda o assunto para as brigas dos"banianos" na frente do mercadinho, sendo que eles são irmãos...
Sinceramente, escolhi o tal paragrafo pelo o que foi falado em seu inicio, como comparar o leito de Carolina com uma casa, e considerar isso uma ofensa. Como a maioria deve saber, a tal comparação resume-se na realidade de Carolina, por ela viver na favela, infelizmente não possui lugares perfeitos ou se quer bem feitos para poder viver. É algo que devemos refletir, pois a infraestrutura de uma favela não pode ser resumida em apenas madeiras ou barracos, já que isso é desumano!
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