Biografia de Arthur, o Furtado, 2020

Meus pais viviam inicialmente em Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, onde todo mundo é vizinho ou familiar, e lá se apaixonaram na adolescência, casaram-se quando adultos e decidiram vir para a “Ilha da Magia” para “recomeçar”, juntamente com minha tia Debora. Aqui em Florianópolis, criaram a sua casa desde o zero no meio do Campeche, que na época era vazio, e tiveram sua primeira filha. Vim a nascer no dia 2 de setembro de 2005, ano marcado por diversos acontecimentos importantes,  mas destes, os que mais considero são os lançamentos estupendos dos  filmes “Star Wars: Episódio 3 – A Vingança dos Sith”, “Harry Potter e o Cálice de Fogo” e uma nova versão de “ A Fantástica Fábrica de Chocolate”. Além disso, há outro tipo de lançamento que me marca até hoje como o único console que tenho,  chamado “Xbox 360”.

Diga-se de passagem que meu nome já foi pensado por meus pais antes mesmo de eu nascer, tendo como lembrança e referência o nome de meu bisavô, que se chamava “Arthur”, e por isso o meu nome tornou-se “Arthur de Menezes Furtado”, com o “ Menezes” sendo de parte de minha mãe e o “Furtado”, de meu pai. Eu já tinha, em meu nascimento, uma irmãzinha com cinco anos que ficou feliz da vida com mais alguém para poder brincar. Ela se chamava Julia e nascera cinco anos antes de mim, no início do segundo milênio (2000). Dois anos se passaram desde então, e fui marcado com mais dois nascimentos familiares, vindo primeiro, no mês de abril, meu primo Pedro, que considero até hoje como um irmão e parceiro de vida; e um mês após eu completar dois anos, em outubro, veio a nascer minha querida irmãzinha chamada Beatriz. Ora, minha família estava relativamente já “nascida”, e assim se passaram vários anos com apenas brincadeiras e bagunças em todos os lugares possíveis da casa. Contudo, o lugar mais utilizado para isso era a nossa sala, marcada por um comprido e antigo sofá marrom claro, um tapete grosso que ao ser batido soltava muita poeira, uma grande poltrona verde que ia para frente e para trás e por último um objeto que para mim na época parecia mais uma “caixa com desenhos dentro”, que era na realidade uma televisão preta de tubo.

Quando tinha três anos, acabei sofrendo uma situação infeliz, na qual acabei internado no Hospital Universitário por conta de uma forte pneumonia que veio a jazer sobre mim. Não me lembro de todas as circunstâncias, nem do que aconteceu a cada dia internado, contudo apenas uma pequena memória eu consegui absorver desse período, que era de uma tartaruga de pelúcia que minha dinda Lina havia me dado para ter uma companheira junto comigo no Hospital, e passei todo o momento sem largá-la para nenhuma coisa. No total, foram onze dias internado, dando início no dia 24 de outubro e recebendo alta no dia 4 de novembro, tudo no ano de 2008, dando um baita susto em toda minha família. Mais um ano se passou depois do susto, e já marcava minha primeira vez em uma creche, que até ficava bem perto de minha casa, a algumas ruas de distância. Ela se chamava “Francisca Idalina”, e passei um ano nela. Recordo apenas de seu parquinho, porque naquele tempo eu odiava ir para creche, pois, segundo minha mãe, eu era ainda muito apegado a viver somente com a família, e o “meu mundo” se resumia apenas a minha casa, portanto na maioria das vezes chorava quando sabia que iria para creche, pois era período integral. Mas com o tempo aprendi a me acostumar com esse “novo mundo” em que eu deveria viver; no entanto, sempre fui tímido com meus coleguinhas e professores.

No ano seguinte, passei a estudar só a tarde, minha mãe me matriculou no “Neim Campeche”, que é bastante famosa aqui no bairro, e dessa vez fiquei muito feliz com tudo o que a gente fazia e brincava nela, pois ela possuía muitos projetos infantis divertidos e legais, um deles bem famoso de nossa cultura local, que era o boi de mamão. Todo mês fazíamos esse festejo típico, colocando cada aluno com um personagem clássico dessa incrível história e a sua engajada canção nostálgica, no grande pátio da creche que tinha um parquinho sobre a grama e um campinho de futebol sobre a areia. Sempre quando acabava esse evento, nós nos juntávamos para jogar uma bola, e eu sempre ia para o gol, pois não trazia muita habilidade nos pés e sim nos reflexos das mãos, então passei a gostar muito de ir ao gol. Eu e o gol tínhamos uma relação amigável, que ao serem combinadas davam uma boa diferença durante as partidas. Nesse período, eu tinha cerca de 6 anos e gostava muito de ver a série animada de Barney e seus amigos, e em meu quarto ficava o enorme boneco do protagonista dinossauro rosa, que era o Barney. Para todas as brincadeiras possíveis eu levava Barney junto comigo, como um companheiro para todas circunstâncias. Meu primo Pedro também havia ganhado o enorme brinquedo do Shrek em seu aniversário, então ele trazia consigo o grande ogro verde para se juntar às brincadeiras imaginárias. Sendo esse o último ano em que ficaria no Neim Campeche, encontrei diversas amizades que tenho até hoje, e no último dia de aula, fizemos uma apresentação de circo à noite, que havíamos preparado durante o ano inteiro. Foi a noite mais divertida que tive até aquele dia, em que brincamos de fazer diversas acrobacias de circo, com suas fantasias engraçadas, pinturas em todo o rosto e pulseiras que brilhavam no escuro.  Foi então que ao fim da creche percebi que não conseguia focar direito em ver figuras ou letras, sentia que algo prejudicava minha visão e dias depois de ter ido ao oftalmologista, tive que usar meu primeiro óculos, de cores azuis e formato retangular

Se alguém me perguntasse qual foi a maior dor física que eu sofri na vida, responderia que foi num determinado dia das férias em Passo Fundo, terra natal dos meus pais e moradia de muitos familiares meus. Estávamos passando um tempo na chácara de minha tia Vera; no dia, eu era ajudante de meu primo e tive que trazer algumas iscas para a pesca, que iríamos fazer no rio. No entanto, da casa até o rio localizava-se uma enorme rampa de concreto que era bastante íngreme, e nesse exato momento choviam longas gotas de água sobre o duro solo da rampa. Como íamos ao rio, minhas roupas se resumiam apenas em uma sunga. Desci de maneira rápida a rampa, pois estava ansioso para pescarmos. Contudo, durante esses movimentos, resvalei com um de meus pés e desci toda a rampa de joelhos, rasgando e ralando-os junto com minhas canelas. No fim, o resultado foi sangue para todos os lados, com a carne dessas partes aparecendo em sua tonalidade mais rosada possível.

O natal de 2015 foi o mais marcante que tive, já que ganharia meu primeiro console de videogame chamado Xbox 360. A véspera se passou aqui em casa, estando em grande parte a família de meu pai. Então aproveitamos para fazer um bom churrasco e à meia-noite, a da troca da véspera para o natal, comemoramos com a abertura dos presentes entregues pelo Papai Noel; no meio de todos os presentes da família, havia um que chamaria minha atenção. Nele estava registrado, com as cores de uma caneta vermelha, o meu nome e de minhas outras duas irmãs. Com isso, por curiosidade e sem esperar por mais nada, pegamos juntos o tal misterioso presente e abrirmos. Nele, o nome “Xbox 360” já o identificava, e nós três tivemos um “mini-infarto” no mesmo instante em que soubemos que o presente era realmente verídico. Jogamos muito nesse videogame  no qual coloquei o nome de “Nemo”, e não demorou muito tempo para virar o xodó da família e inseparável, tanto é que, mesmo estando desatualizado em comparação a outros consoles, ainda temos apenas ele como entretenimento eletrônico.   

Fui ao primeiro dia de aula quando já tinha meus sete anos e foi uma das experiências mais marcantes da minha vida. O colégio em que eu passaria seis anos de minha vida se chama Escola Municipal Brigadeiro Eduardo Gomes, e por coincidência ela ficava ao lado da Creche do Neim Campeche. Era como se eu estivesse “subido um patamar”. Não há nenhum lugar de que eu tenha tantas memórias na vida como dessa escola; inúmeras histórias ocorreram nela, que sempre foi pintada com as cores amarelas em suas paredes e azuis sobre suas partes superiores, e também na parte das rampas, que ficavam na parte interior da escola, juntando todos os andares (no total eram três). Tinha um enorme vidro azul que dava visão para o pátio da frente com suas duas quadras, uma de futebol e a outra de basquete, ambas pintadas de cor azul, branco e laranja. No meu primeiro dia nela, senti a sua enormidade comparada à creche, e mais outra vez senti que teria que me adaptar a esse novo mundo que eu acabava de adentrar. Não demorou muito tempo e eu já sabia todos os lugares da escola, que de fato era uma grande coisa, já que ela possuía em seu interior diversos corredores, salas, escadas e banheiros. Dá-me arrepio só de pensar novamente em um dos momentos mais difíceis da minha vida; estava eu em plena sala de aula do quarto ano, estudando e fazendo as atividades elaboradas em sala, quando de repente minha orientadora adentra na sala e pede com um tom de voz entristecido para que eu arrume meus materiais e vá rapidamente para baixo, pois minha mãe estava à espera. Sem ter nada para falar ou me contrapor, fiz exatamente o que ela pediu, descendo as escadas que ficavam ao lado da diretoria do jeito mais rápido que conseguia. Lá embaixo, minha irmã Beatriz, que estava no Colégio de Aplicação, recém sorteada  para cursar o segundo ano, já se encontrava junto com minha mãe dentro do carro, ambas à minha espera. Entrei no carro e perguntei o que havia ocorrido, e ela respondeu que contaria quando chegássemos em casa. Chegando lá, vi meu pai e minha irmã mais velha Julia arrumando diversas coisas dentro do carro, pois nós íamos para o velório da minha vó em Passo Fundo, o que me deixou extremamente triste.

No quinto ano, eu jogaria minha última gincana nos Anos Iniciais, e assim como todos os anos que estive lá, fiz parte da equipe azul. As gincanas da escola ocorriam todos os anos, entre as salas do primeiro ao quinto ano. Ela, a gincana, juntava todos esses e dividia em equipes de diversas cores, como azul, verde, preto, branco, amarelo, vermelho e roxo. Assim como grande parte das gincanas, a equipe vencedora era quem possuía a maior pontuação durante as brincadeiras e atividades, e entre o terceiro ao quarto ano, a equipe azul ficou em segundo lugar. Porém, no ano seguinte, desacreditados de uma possível vitória, ganhamos. E essa foi a minha última gincana da escola, pois no próximo ano já mudaríamos para as interclasses, que são nada menos e nada mais que uma competição esportiva entre cada turma dos Anos Finais, iguais a certas Olimpíadas que futuramente teria em outra escola. O sexto ano foi um dos mais marcantes para mim, no sentido de liberdade e responsabilidade, além também de ser o ano em que encerraria meu ciclo, que durou seis anos incríveis cujo não me arrependo de nada, no gracioso Brigadeiro. Foi nesse mesmo ano que convivi grande parte do cotidiano com um amigo paulistano fanático pelo time de futebol Palmeiras, que se chamava Pedro Manoel. Tinha a mesma idade que a minha. Sua casa era muito próxima do colégio, a ponto de irmos caminhando a pé até ela, e então eu passava o dia inteiro em sua espaçosa casa, com um terreno gigantesco para jogarmos bola e diversas outras coisas. Foi também nesse período em que se popularizou um jogo para aparelhos eletrônicos chamado “Clash Royale”, e obviamente eu e ele, ambos tendo um tablet, jogamos juntos muitas vezes, como se fizesse parte de nossa rotina divertida; antes é claro, fazíamos todas as tarefas e trabalhos da escola. Já na noite (nós íamos para escola de manhã e ficávamos na casa do Pedro de tarde) participávamos  dos treinos de basquete e de handebol na escola, o que tornava os dias mais exaustivos, porém tínhamos uma energia no corpo ainda não estudada pela NASA.

O final do ano de 2017 e início de 2018 foi marcado pelos acontecimentos que mais mudaram minha vida adiante. Eu, com total certeza, imaginava que passaria todo o Ensino Fundamental na Escola Brigadeiro. Ainda não tinha ideia que minha mãe havia me inscrito para o sorteio do Colégio de Aplicação, e num determinado jantar em família ela decidiu falar para mim. Fiquei inicialmente meio triste, mas sabia que seria de uma dificuldade extrema ser sorteado quando há muitas pessoas inscritas. No entanto, no dia 06 de fevereiro, durante minhas férias, vi chegando bem emocionada, a minha mãe, juntamente com a notícia de que eu havia sido chamado para matrícula no Colégio de Aplicação, por ter sido sorteado em primeiro lugar. E juntamente comigo, meu amigo de escola Arthur Machado, pois nesse ano iria abrir mais uma turma, ficando 4 turmas de sétimos anos. Entre vários e vários chororôs por não querer mudar de escola, finalmente me veio à mente a possibilidade de esse colégio ser bom para mim e que como sempre estava subindo mais uma vez de patamar. Não custaria nada estudar lá, ainda mais que é num colégio considerado “melhor”. Indo ao Colégio de Aplicação, percebi que todos que ali ficavam eram pessoas incríveis de bom coração, que sempre me ajudaram quando possível, tanto os funcionários, quanto os professores e os colegas, pois todos se ajudam e são ajudados. Mesmo estando anteriormente numa escola municipal, onde o que é ensinado não se compara ao que é no Aplicação, compreendi tudo o que fora ensinado a mim e agradeço de coração a todos e a todas desse colégio. Momentos neste colégio passam por mim como se estivessem ocorridos ontem; as olimpíadas com toda certeza foram, assim como as gincanas da Escola Brigadeiro, os momentos mais felizes, engraçados e de união que vivi, em um 7B e 8B que eram a melhor sala no quesito relação com todos que ali estudavam, tanto é que com muitos colegas convivi em vários eventos fora da escola, como ir à casa do outro, almoçar juntos ou até mesmo ver um filme no cinema.

No ano atual de 2020, em que tenho ainda 14 anos, faltando apenas dois meses para um quarto de sessenta anos, muitas coisas consideradas peculiares aconteceram e ainda podem acontecer, pois não duvido nada nesse ano. Um exemplo delas foi a perda da minha avó paterna, Ivone, recentemente, e por esse fator eu não curto muito lembrar, já que a minha ficha ainda não caiu de que ela se foi. Era uma pessoa muito próxima, e a triste notícia de sua morte continua mexendo meus sentimentos de maneira delicada. Portanto, falar sobre isso, é a única coisa que não me alegra em nada na vida. A “vinda” do novo coronavírus é o que mais simboliza 2020, que estabeleceu em todo o mundo um caos, mortes e distanciamento social daquilo que a gente mais ama e mais fazia no agora “passado cotidiano”, porque vivemos apenas em casa, presos em nossos próprios lares. O contato com as pessoas que mais amamos foi impedido, portanto, a instabilidade se estabeleceu sobre várias relações, “mas nada que o tempo não possa curar”. Com isso, devemos apenas ter paciência nas situações impacientes deste ano.

Sou Arthur de Menezes Furtado do 9º D, e esse foi um pequeno registro de minha belíssima vida!

#secuidem

 

 


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