Escrita do Quirido diário de leitura ( semana 2)

29 de julho de 2020 Continuei a leitura de Quarto de Despejo, e enquanto mais o livro avança-se, mais assuntos reflexivos e frases inteligentes saem sobre as palavras "faveladas" de Carolina Maria de Jesus. Tanto é que interessou e representou-me bastante nas leituras, as paginas 53 e 54, onde a escrita delas são bem fortes no cenário atual como por exemplo: "Quando eu era menina o meu sonho era ser homem para defender o Brasil porque eu lia a Historia do Brasil e ficava sabendo que existia guerra. Só lia os nomes masculinos como defensor da pátria." Se refere a falta de direito e igualdade da mulher em nossa sociedade na época do livro e em nossos dias atuais, o que deixa-me totalmente triste e humilhado. Pois apenas por ser "homem" na sociedade, já sou considerado superior da mulher, pode ser as vezes direta ou indireta, vindo do pensamento interior da pessoa ou até mesmo exclusão em cargos e trabalhos...Sem contar com o nojento preconceito racial implantado numa "sociedade" imparcial, que nunca buscou ajudar ao próximo, visando sempre o próprio umbigo. Quando percebi que o mundo possuía realidades alternativas, não de tempo na ciência ou algo relacionado aos filmes, e sim de modos de vida, comecei a ficar humilhado e constrangido...pois vejo inúmeras vezes pessoas reclamando do tipo de prato no qual estão comendo ou consideram arroz e feijão como um prato "tosco" e sem "emoção"...sendo que há pessoas cujo pensamento se quer passam para a escolha de prato, e sim para se amanhã terão pelo menos algo para comer e dormir...
Fiquei me perguntando um bom tempo, qual era o nosso paraíso? Fui ao centro em busca do mercado público, ponte Hercílio Luz e Praça Quinze, mas me entristeci...Avistei na realidade o erro de nossas ações nos espelhos das tais construções, que são nada mais e nada menos que os mendigos, pois o dinheiro investido nelas se quer foram pensados numa instituição que ajudasse os moradores de rua...Dizem que os mendigos "poluem" os lugares, mas na verdade eles os simboliza...
Já no livro de Carolina, ela se quer descansa com pensamentos bons, pois no próximo dia já tem o que arranjar para comer. Sem lembrar as brigas entre os filhos e toda a favela, narrando inúmeras brigas de nordestinos que chegam ao nível de deita-los com a peixeira ..Tumultos nas festas, corridas ou em entregas de bolacha, já que em ambas se tem comida de graça, o que torna cada vez mais humilhante a ideia de ser um favelado no Brasil...

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